REVIEW | Mother! (2017)

O mais recente filme de Darren Aronofsky foi o filme que mais dividiu a crítica em 2017. Mother! recebeu tanto ódio quanto aclamação, sendo um filme repleto de metáforas religiosas e extremamente aborrecido de interpretar. A sua salvação passa pelo elenco de luxo, mas nem isso é quanto baste para fazer adorar esta obra. 

Em Mother! acompanhamos a história de um casal que aparenta ter a vida perfeita. Resguardados no seu casulo, restauram uma mansão que havia ardido não há muito tempo. Neste ambiente Ele (o marido, interpretado por Javier Bardem) tenta escrever a obra perfeita, mas preso num bloqueio criativo não consegue alcançar o seu objectivo. É então que, inesperadamente, dois visitantes (Ed Harris e Michelle Pfeiffer) abalam a calma do casal e a sua vida perfeita, estimulando a veia criativa dele e aumentando o seu ego de forma desmedida. No fim, será o casal capaz de regressar à calmaria do seu santuário inviolável ?

Num argumento pouco básico e repleto de metáforas, o segredo de Mother! reside na interpretação que o espectador faz das mesmas. Estaremos a falar de religião? De política? De um culto? As opções são inúmeras, e talvez seja por isso que a crítica se divide neste filme. O filme é, todo ele, uma alegoria à existência humana, ele sendo Deus, ela sendo a Mãe Natureza ou, como ele lhe chama, casa, um lar. Ele cria o Homem, e ela tudo o que os rodeia - e por aí em diante. 

Quando olhamos para o filme no seu todo, dando dois passos atrás como quem olha para um quadro, podemos ver que realmente resume a existência humana. No início podemos ver que ele tentou, mas falhou. A existência humana, a maior parte do filme, também falha. No fim, o dilema passa pela livre vontade, sendo que ele se guia pelos versos do seu poema, mas a interpretação do homem é o que causa conflito, dado que todos têm a sua opinião, até chegarmos a uma anarquia e consequente obliteração do ambiente de perfeição que outrora se vivia. 

A obra de Aronofsky torna-se assim dotada de grande mestria, com uma forte mensagem que pode assumir as mais diversas interpretações. Com excelentes actores, uma banda sonora aterradora e algumas imagens chocantes, é o filme ideal para quem procura algo diferente. 


5 comentários:

Carla Marques da Silva disse...

Ainda não vi. É daqueles filmes que tenho estado na dúvida se iria ver ou não ;)
Ainda não me decidi :D

Beijinhos <3
http://demantanosofa.blogspot.pt/

Inês Retorta disse...

Se tiveres oportunidade, aconselho a veres. Vale a pena em vários aspectos. Não adorei mas permite uma grande introspecção !

N E U Z A A L E X A disse...

Já vi e posso dizer o quanto me deu raiva ele estar a meter tanta gente dentro de casa sem lhe pedir autorização ahahah
Apesar de "confuso", no geral até é um bom filme :)

AZUENTURE

Sara Baptista disse...

Vi o filme e também fiquei boquiaberta!

Marta Moura disse...

Tinha curiosidade em vê-lo mas li críticas tão más que acabei por deixá-lo de lado.

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