REVIEW | Kaleidoscope (2016)

O MOTELx continua a todo o gás, e tivemos a oportunidade de espreitar um dos filmes a concurso para o Prémio MOTELx 2017. Kaleidoscope leva-nos numa viagem algo Hitchcock, algo Polanski à mente humana, acompanhando uma personagem com um passado nefasto e o seu respectivo vórtice psicológico. Rupert Jones traz-nos beleza em técnica, mas uma narrativa fraca que resulta num filme parado e quase doloroso. 

Longe de ser uma estreia para Rupert Jones na realização (muito embora o realizador se tenha vindo a dedicar mais à comédia), Kaleidoscope é a história de Carl, que um ano depois de sair da prisão vê a sua vida restabelecida - mas por pouco tempo. Volta ao mundo dos encontros amorosos, e o reaparecimento repentino da sua mãe ausente na tentativa de apaziguar as diferenças entre ambos provoca em Carl mudanças intensas - especialmente dentro da sua própria mente. 

Neste filme, o que salta logo à vista (a quase qualquer espectador) é a técnica. O uso dos contrastes entre luz e sombra com recurso à iluminação e as cores mais e menos saturadas ilustram na perfeição a viagem caleidoscópica que nos é proposta. Rupert Jones acaba por conseguir retratar o processo da calmaria ao caos na vida de Carl através da sua realização, o que resulta num factor de sucesso nesta obra. 

No entanto, apesar do ambiente intenso que se faz sentir ao longo de todo o filme, os diversos avanços e recuos  na história provocam oscilações de intensidade que não permitem à narrativa o desenvolvimento que dela esperávamos. Resulta numa história parada e pouco desenvolvida, auxiliada pelas técnicas já referidas acima e ainda pelo som, que contribui em larga escala para os momentos de intensidade.

Nem a performance de Toby Jones, que está impecável no papel de Carl acaba por salvar este filme, ou o público de adormecer. No fundo, com Kaleidoscope estamos perante uma viagem técnica fantástica, mas não podemos esperar mais que isso. 


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