REVIEW | 20.02.80 & Super Dark Times (2017)

Na sessão de abertura do festival MOTELx, do qual temos vindo a falar nos últimos dias, foram exibidos não um, mas dois filmes. Além da festa de apresentação inaugural, tivemos oportunidade de ver a curta metragem 20.02.80, de Jerónimo Rocha, e o filme americano Super Dark Times. É por isso que hoje vos falamos destes dois filmes. 

Começando pelo início, a curta metragem 20.02.80, do português Jerónimo Rocha pela mão da Take It Easy vem-nos ilustrar a base da imagem do festival deste ano. Em todos os cartazes e spots promocionais podemos ver os famosos Diabos de Vinhais, personagens que vêm de uma já antiga tradição portuguesa do Norte do país. Vinhais é uma vila de Bragança, que todos os anos recebe na quarta feira de cinzas, o Dia dos Diabos. Durante a celebração, vários rapazes se vestem de vermelho com um cinto na mão, havendo também a personagem ilustrativa da Morte - com fatos pretos, cara enfarruscada e gadanha em punho.

Na curta-metragem, podemos ver esta tradição retratada um pouco ao estilo de found footage, com imagem bastante rudimentar mas que confere ao filme o ambiente que queremos ver. Não há diálogo, apesar de podermos escutar a oração pagã dita por uma rapariga perseguida durante a celebração: "padre-nosso, caldo grosso, carne gorda não tem osso"... Uma das coisas que mais importa referir no que respeita a esta curta, é que a mesma desperta o interesse em saber mais sobre esta tradição ainda por muitos desconhecida. 

(Imagem da celebração pela Câmara Municipal de Vinhais)

Depois, foi com grande expectativa e curiosidade que recebemos o filme Super Dark Times, já exibido nos festivais de cinema de Tribeca e Roterdão. Sendo a estreia do realizador Kevin Phillips, o filme foi sem sombra de dúvidas uma agradável surpresa. Inserido numa onda de nostalgia que temos vindo a presenciar no mundo do entretenimento (podemos aqui tomar a série Stranger Things como exemplo), a acção do filme passa-se no início dos anos 90, centrada numa realidade longe de lentes cor-de-rosa e entretenimento puro. 

A realização de Phillips apresenta a intensidade necessária ao filme que se propõe, acompanhada de uma banda sonora que faz lembrar John Carpenter, embora sem qualquer ligação imediata ou directa. Foram feitas escolhas de imagem e edição muito interessantes do ponto de vista estético e de acompanhamento da narrativa, acompanhando a par e passo a subida da tensão no filme. A isto também ajuda o elenco jovem e fabuloso, para nós ainda desconhecido, no entanto parecendo talhados para os respectivos papéis - sempre com especial destaque para os dois amigos Josh e Zach.

O ponto mais negativo em relação a Super Dark Times acaba mesmo por ser a nível da narrativa, sendo que o final parece não encaixar com o resto da história, apesar de ser difícil pensar num culminar diferente sem comprometer o filme na íntegra. Apesar disso, foi a média intensidade que inauguramos o MOTELx 2017, num filme que merece (quase) todas as atenções.  


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