FESTIVAIS | Viver o MOTELx, Viver o Cinema

Ainda não são sete da tarde, e já o foyer do Cinema São Jorge se encontra cheio. As bilheteiras com filas imensas, e muita animação - mesmo apesar do festival anunciar sustos até mais não. Estamos no MOTELx, o festival internacional de cinema de terror de Lisboa. Sem o cheiro das pipocas, mas cheios de curiosidade, os espectadores reúnem-se em torno dos programas, chegando à conclusão que é cada vez mais difícil escolher o que ver ou antecipar as sessões antes que esgotem.
 
Já falámos inúmeras vezes sobre o festival, sobre o programa e sobre os filmes favoritos. Mas a experiência de estar naquele local e conversar com as pessoas que estão ali para o mesmo que nós não se iguala. O gosto pode não ser o mesmo, mas a experiência é sem dúvida partilhada por todos os visitantes. Mais que ver o cinema, estamos ali para viver o cinema. Para falar com quem faz os filmes, com quem tem as ideias. Para trocar impressões. E foi exactamente isso que se viveu naqueles seis dias. 

Ainda na fila para comprar alguns bilhetes, um grande fã de Roger Corman não se cansa de conversar. Participa no festival já desde o seu início, e recorda-se das infindáveis sessões patrocinadas pelo Cineclube de Terror de Lisboa. Além de Roger Corman é fã assumido de Dario Argento, e reforça a importância deste festival para conhecer e dar a conhecer cinema - do novo ao antigo e do português ao estrangeiro. E não está longe da verdade, ou não fosse o MOTELx o único festival português acreditado pela Federação Europeia de Festivais de Cinema Fantástico (EFFFF).

Já quase no fim do festival, ouvimos uma perspectiva diferente: a de quem está por dentro. Uma responsável da produção do festival revela-se igualmente grande fã do mesmo, tendo participado na organização de várias edições anteriores. Em conversa percebemos gostos em comum, do terror à ficção científica, e partilhámos a experiência de viver este festival de duas perspectivas diferentes. Comentários relativamente à organização impecável foram tidos em conta, apesar de alguns espectadores terem ficado insatisfeitos com os horários das sessões - sendo impossível agradar a gregos e troianos. 

Chegamos ao fim do festival, com os desejos de bom cinema mais que satisfeitos e a culminar em beleza com terror como há muito não se via. Foram muitas as sessões mais que esgotadas numa grande diversidade de filmes, mais que muitos os sustos, e por vezes ainda maior o número de gargalhadas. E como um momento destes não se faz sozinho, foi sempre em boa companhia que pudemos experienciar tudo aquilo que foi o MOTELx em 2017. Regressaremos em 2018, para viver ainda mais o cinema. 

Imagem: trendy.pt (via google)

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