REVIEW | Dunkirk (2017)

Christopher Nolan volta a entregar-nos uma experiência de cinema inacreditável em 70mm. A crítica divide-se, tendo o filme sido alvo de elaborados elogios, mas igualmente de severas criticas. Por aqui sem dúvidas que foi um dos filmes mais antecipados - e também mais adorados - dos últimos meses. É um filme que ninguém deve perder, saibam porquê. 

Não nos interessa a falta de contexto nem de CGI. Não esperávamos um épico de guerra (se bem que chega a sê-lo), nem um remake do filme de 1958 com o mesmo nome. Facto é que a história de Dunkirk já foi contada várias vezes no grande écran, e para os amantes de história (especialmente sobre a Segunda Guerra Mundial) não constitui grande novidade. 

Muito resumidamente, o filme centra-se na evacuação das tropas britânicas, belgas e francesas (tropas aliadas) da cidade francesa de Dunkirk, cidade essa que no decorrer da guerra havia sido cercada pelo exército alemão. Além disto, temos foco sobre os pequenos heróis: as embarcações civis convocadas para auxiliar no resgate das tropas. Aqui podemos logo aperceber-nos de uma das particularidades do filme: a falta de contexto. Sabemos sobre que é e sabemos ao que vamos, mas não há um contexto evidente, óbvio, daquela que foi a visão dos acontecimentos - sendo este o primeiro de vários factores que torna Dunkirk um filme a ter em conta. 

Ao não proporcionar grande contexto, não perdemos tempo com informação desnecessária e saltamos directamente para a visão de Nolan e de Hoytema destes acontecimentos. O cineasta a par com o cinematógrafo, relatam-nos uma história impressionante mas sem grande foco no sangue derramado, e acompanhamos o que nos é fundamental de três vertentes diferentes: o ar, a água e a terra. Ao adoptar a visão da guerra juntamente com os elementos naturais e básicos, voltamos a ter uma experiência imersiva típica de qualquer filme do cineasta - facto que é ajudado pela soberba banda sonora uma vez mais a cargo de Hans Zimmer.

O que nos leva ao próximo ponto que tão bem caracteriza este filme: temos um elenco de luxo, com Mark Rylance, Tom Hardy, Cillian Murphy, entre tantos outros - mas, e o diálogo? Ao não oferecer grande diálogo, o filme obriga o espectador a focar-se quase única e exclusivamente nas sensações provocada pela visão, e pela audição exclusiva de sons, de música. O tick-tack do relógio simbolizando o pouco tempo que havia par a evacuação das tropas é evidente ao longo de todo o filme (e, segundo consta, foi gravado a partir do relógio do próprio Nolan), além de podermos "observar" toda uma mestria na constituição do som deste filme. 

O último ponto de que vos quero falar hoje é a cinematografia deste filme. A cargo do cinematógrafo holandês Hoyte van Hoytema (Interstellar, Spectre), a imagem em Dunkirk oferece não raras vezes uma simbiose perfeita entre frames, que ficam marcados na memória e ajudam a demonstrar mais claramente toda a experiência vivida em Dunkirk. Assim, é igualmente o brilhantismo da imagem que ajuda a visão do argumento de Nolan a ser alvo de sucesso, e, perfeitamente coordenada com o som, temos a receita ideal para um épico. 

Assim, em última análise, é este tríptico e esta simbiose entre argumento, cinematografia e som que faz de Dunkirk um filme a ter em conta - e quase obrigatório, sendo ainda um dos melhores trabalhos da carreira de Christopher Nolan.





4 comentários:

Clara disse...

Infelizmente, fui ver este filme no cinema e não gostei nem um pouco.
Estava a espera de um pouco mais contexto, ação e história... Enfim! Qualquer das maneiras, gostei imenso do teu review e respeito a tua opinião :)

Xoxo,
Ciela Unlimited | https://cielaunlimitedblog.wordpress.com/

Inês Retorta disse...

Clara,

Obrigada pela tua opinião ! Acredito que a ausência de contexto tenha sido uma coisa intencional, no entanto é perfeitamente natural que não agrade a todos os espectadores. Quanto à acção, segundo o próprio realizador nunca terá sido um dos objectivos primordiais do filme. Ainda assim, é o tipo de filme que pode não agradar a todos os olhos.

Agradeço o comentário ! :)

xoxo,

Inês Retorta

Liℓiαnα☆ disse...

Já ouvi falar bem do filme, mas bem me parecia que seria um pouco "mais do mesmo", por isso por bom que esteja, não tenho interesse em vê-lo...
Boa opinião ;)

Beautifuldreams disse...

Adoro os filmes do Christopher Nolan, são sempre "mind-blowing". Este não foi exceção. Com fragmentos entre o passado e o presente vamos percebendo o destino de cada uma das personagens. A música e a cinematografia muito bem conjugadas. Mas infelizmente acho que não vai ganhar o Óscar.

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