REVIEW | A Casa da Sra. Peregrine Para Crianças Peculiares (2016)

Nunca vi filme com título tão grande como este. A Casa da Sra. Peregrine Para Crianças Peculiares foi o último e mais recente filme de Tim Burton a chegar às salas no Outono de 2016. A crítica menciona este como sendo o melhor filme do realizador em anos, mas será que é mesmo assim ?

O filme de fantasia marca o regresso de Tim Burton à sua zona de conforto. Baseado no romance homónimo de Ransom Riggs, o filme conta com uma premissa fabulosa e um elenco promissor. Tudo começa com a morte do avô de Jake (Asa Butterfield) que leva o rapaz a uma pequena ilha no país de Gales em busca do orfanato onde o avô trabalhava antes de se alistar no exército. O orfanato vive para todo o sempre em 1943, gerido pela Sra. Peregrine (Eva Green) e habitado por uma série de crianças peculiares - que é, como quem diz, com poderes especiais. 

A premissa do filme é bastante promissora, para quem aprecia o género fantástico. Há também várias discretas comparações ao período da Segunda Guerra Mundial. Apesar de tudo, o filme é muito mais visual, com cenários fantásticos e um guarda roupa que é das suas melhores facetas - e visualmente, todo o filme é imaginativo e... peculiar, bem ao estilo de Burton. A narrativa fraqueja muito frequentemente, havendo pouco no filme que seja de facto surpreendente (e há plot-holes do tamanho de crateras).

Na verdade, ao ver A Casa da Sra. Peregrine Para Crianças Peculiares, parece que em duas horas vemos dois filmes diferentes. Durante a primeira hora,  o filme passa todos os 60 minutos a tentar explicar-se a ele próprio, sem grande background além do que diz respeito ao avô de Jake (quando na realidade queremos é saber o papel de Jake no meio disto tudo). E quando chegamos ao fim, ainda estão a explicar coisas - mas o frustrante é ter uma premissa tão promissora em que muito fica por responder mesmo com tanta explicação. Dá a sensação que este foi apenas o início de um franchising que não vai mais além. 

De uma forma geral, é um filme pronto para ir mais longe mas que não nos transporta para outro mundo como seria expectável. Visualmente excelente, com um grande elogio a Eva Green, mas pobre em história. E na realidade, deixa-nos a pensar: se ao menos Burton tivesse feito este filme há 25 anos atrás... 


2 comentários:

Paulo Faria disse...

Eu sou fã do Tim Burton, não é um realizador para todos, para saborear os seus filmes temos de entrar no mundo esquizofrénico dele. Ainda não vi este filme, mas em certa forma concordo contigo sobre a história pobre, porque vendo o trailer não sinto vontade de ver, sinto que ele está tornar-se repetitivo. Mas ainda vou tentar, nem que seja pela maravilhosa Eva Green :)

Bitaites de um Madeirense

Inês Retorta disse...

Paulo, o Tim Burton também é dos meus preferidos :). Este filme, no entanto...

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