#CINÉFILOSEMAPUROS | Let's talk torture.

OK, desculpem o título medonho (e o aviso de que poderá haver por aqui imagens perturbadoras). Hoje venho aqui falar sobre o subgénero do terror que mais gosto, o gore. Sim, é verdade, sou mega-fã de splatter films, mais tarde apelidados de torture porn. É um género que pode não agradar a todos, especialmente os mais sensíveis, mas é igualmente um tipo de filme que tem muito por onde apreciar - e também onde encontramos as mais fantásticas e realistas caracterizações.

E agora perguntam vocês - que raio é um filme torture porn? Os filmes do género são também apelidados de splatter films, gore films ou até mesmo "gorno" (mistira entre gore e porno), e são filmes focados deliberadamente em violência extrema e MUITO gráfica. Ora bem, essa violência é demonstrada através de muitos efeitos especiais, maquilhagem SFX e etc., e é dado destaque a um interesse sobre a vulnerabilidade do corpo humano e a teatralidade do acto de mutilação

(Dawn of the Dead, Geroge A. Romero, 1976)

O género viu a sua origem estética nascer em França, no teatro Grand Guginol, que se especializou em espectáculos de horror muito realistas. O nome do teatro é usado para designar o entertenimento de terror extremamente gráfico e amoral, que evoluiu para o que hoje chamamos splatter film.  

Entre 1950 e 1960, foi reintroduzido ao público por filmes de culto como Psycho de Alfred Hitchcock, e mais tarde o género renasce, com Hostel e Saw como protagonistas. Em particular entre os anos 2003 e 2009, foi introduzido o subgénero que combinava elementos do splatter film com o slasher film - e passou a chamar-se torture porn. O género caracteriza-se por fortes demonstrações de sadismo, tortura, mutilação e violência gráfica

(Hostel: Part II, Eli Roth, 2007)

(Saw, Leigh Whannel e James Wan, 2001)

Este género mostrou ser altamente rentável: Saw, por exemplo, foi um filme que rendeu cerca de 100 milhões de dólares, sendo que a sua produção custou 1.2 milhões. Já Hostel, produzido com menos de 5 milhões, facturou 80 milhões de dólares no mundo inteiro, Este facto fez com que a Lionsgate investisse em filmes como Turistas (2006), Hostel: Part II, Borderland e Captivity (2007). Em 2009, Saw tornou-se o franchising de terror mais rentável da história do cinema

Apesar da alta rentabilidade deste género, o termo torture porn é ainda utilizado como mais que uma descrição do género: é para muitos críticos e amantes de cinema um termo pejorativo para designar a violência gratuita demonstrada nestes filmes. O que não deixa de ser verdade, mas há nestes filmes mais que a violência gratuita, e como já disse, não são para qualquer espectador - por exemplo, quando Hostel e Captivity saíram, houve imensas cidades nos EUA que não expuseram os cartazes e outdoors pela demonstração de violência. 


Poster para Captivity, Roland Joffé, 2007

O que eu acho de tão apelativo nestes filmes, que a meu ver não se focam exclusivamente em violência gratuita (embora os não apreciadores tenham toda e total razão neste aspecto), são os argumentos. Saw, por exemplo, tem uma história genial - que começou por ser uma curta metragem de Leigh Whanell e James Wan. 


A sua premissa assenta na história de Jigsaw, uma espécie de serial killer que envolve as suas vítímas em vários "jogos mortais", dos quais podem sempre escapar com algum sacrifício, numa tentativa de lhes dar uma lição de moral. Certo é que cada filme deixa pontas soltas a serem resolvidas no seguinte, e é impossível ter uma visão 100% adequada e coerente sem se verem os filmes todos. São sete ao todo, sendo que os melhores em termos quer de argumento, quer a nível cinematográfico são os primeiros 4 (a meu ver, claro). 

Já em Hostel, pessoas são raptadas e depois leiloadas para serem torturadas, e apesar de isto não soar nada apelativo, o filme em si está muito bem construído (e o segundo tem um final incrível). Estes foram os filmes que introduziram Eli Roth ao mundo, e há ainda uma terceira instância feita como filme para TV que já não teve a mão do realizador (nem de Tarantino). 

A era destes filmes estagnou ligeiramente, e acredito que estejamos, no mundo do terror, a viver uma era pós-Saw, em que quase 90% dos filmes que surgem têm premissas semelhantes. Resta-nos esperar por um franchising tão igualmente espectacular. 

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