REVIEW | Se Eu Ficar (2014)

[ESTE ARTIGO PODE CONTER SPOILERS]

Baseado no romance homónimo de Gayle Forman , Se Eu Ficar é o tipo de filme que não deixa ninguém indiferente. Sim, é certo que é um romance, e sim é certo que é direccionado àquela faixa etária de "jovens-adultos" hoje em dia tão popular. E sim, é certo que vai fazer chorar as pedras da calçada, a menos que o coração do espectador seja, também ele, de pedra. Também foi uma adaptação cinematográfica que deu que falar, e em termos de comparações dá pano para mangas - mas não desilude. 

Em primeiro lugar, e antes de ceder espaço à comparação livro/filme, o que nos é dado com Se Eu Ficar, é um romance dramático que na mais sincera opinião é uma lufada de ar fresco - a história é envolvente, as personagens são fantásticas e a banda sonora deliciosa. Comecemos pelo princípio: tudo tem início no dia em que Mia e a sua família têm um acidente de carro, no qual Mia fica em coma. O restante filme é a sua luta entre partir ou ficar, a sua história antes do acidente, como conheceu Adam e Kim (o namorado e a melhor amiga) e como a música faz tanto parte do seu ser como respirar. E a música é tudo neste filme. 

Continuando, tal como disse anteriormente, é inevitável falar de Se Eu Ficar sem fazer a comparação entre o livro e o filme. Como em todas as adaptações, houve coisas surpreendentes no filme (que nem sequer constam do livro), e cenas do livro relevantes e em falta no filme. 

Quanto às primeiras, temos aqui em conta a cena em que Adam forra o tecto do quarto de Mia como a réplica exacta do tecto do auditório onde seria a audição para a Julliard - um gesto romântico e de apoio, mas que surpreendeu por não constar do livro. Depois, há o facto de o filme ser só Adam, Adam e mais Adam, o que resulta num "pau de dois bicos". Por um lado, o livro foca-se bastante mais em Mia e em tudo o que é importante na sua vida (sim, Adam incluído, mas não nesta escala), por outro o filme assume Adam como uma personagem por inteiro em vez de pegar apenas nos breves momentos deixados por Mia no livro. E por fim toda a questão de Julliard, deixada em aberto no livro, a que o filme responde, além do facto de Adam lhe ter escrito realmente uma canção. 

Mas com isto tudo, o que falta então no filme ? Explorar a relação de Mia e Kim, por exemplo. No livro, elas não começaram com o pé direito, e é algo que o filme não explora da melhor forma.  Já tinhamos também mencionado aqui o facto de não ser tudo só sobre Adam... Depois uma cena incrível que Adam projecta para poder ver Mia e que não foi sequer incluída no filme - big no no, era uma cena fundamental. E depois o pormenor da cena do acidente... O livro praticamente oferece um guião e o filme não o aproveitou. 

Apesar de tudo, e como qualquer adaptação, tem os seus pontos altos e os seus pontos fracos, mas Se Eu Ficar é, na verdade, um bom filme. A banda sonora é fantástica, e Chloë Grace-Moretz demonstra uma maturidade cada vez mais incrível na sua interpretação (pessoalmente, não gostei de Jamie Blackley como Adam). O argumento, esse, já era conhecido, e para quem gosta deste tipo de literatura, nada fica ao acaso. 

Por saber ficará apenas se a sequela literária Espera Por Mim, alguma vez verá a luz do dia no grande ecrã. 


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